quinta-feira, 7 de março de 2013
Capa da 4a Edição do Livro "Licenciamento Ambiental: Aspectos Teóricos e Práticos"
Eis, em primeira mão, a nova capa do meu livro "Licenciamento ambiental: aspectos teóricos e práticos", cuja quarta edição está para ser lançada pela Editora Fórum. O editor chefe acabou de enviá-la para minha apreciação, e lógico que eu a aprovei imediatamente. Belíssima, não é mesmo?!!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Orlando Tejo, as Mortes Inventadas e o Renascimento de Flávio Ribeiro Coutinho
Segue abaixo o excerto de artigo
escrito por José Belizário Nunes para o portal Usina de Letras que conta mais
uma passagem envolvendo o escritor e jornalista paraibano Orlando Tejo, que se
imortalizou ao publicar o livro "Zé Limeira, Poeta do Absurdo":
Na Paraíba, o jornalista Orlando
Meira Tejo, dono do Diário de Campina Grande, também tinha o hábito de
"matar" os desafetos nas colunas do seu respeitado pasquim,
publicar-lhes a história de vida, a hora, a razão e os trâmites do passamento,
fazer-lhes o elogio fúnebre e, num exagero de deferência para com o inimigo,
convocar a comunidade cristã para as cerimônias de corpo presente, o
enterramento e a missa de sétimo dia. Em um dia qualquer de 1958, Orlando Tejo,
um homem sempre na oposição, noticiou a morte do governador do Estado, Flávio
Ribeiro Coutinho. Escreveu tudo que quis escrever no obituário e, neste caso
específico, ainda noticiou a posse imediata do vice-governador, Pedro Gondim,
nomeou o novo secretariado e indicou as principais mudanças de estilo a serem
adotadas na administração provincial. O governador, morto ad hoc, ficou tão
irritado que abandonou todas as regras do cerimonial e foi ele próprio a
Campina Grande tomar satisfações. Lá, de revólver em punho, encurralou Orlando
Tejo debaixo do pé-de-escada em que funcionava a redação do jornal e exigiu a
impressão imediata de uma edição extra com um desmentido de tudo que fora
publicado na edição normal daquele mesmo dia. Tejo reagiu com grande bravura à
agressão e até com uma arrogância desproporcional ao tamanho do seu império
jornalístico: "Governador", disse ele, "jornal meu não dá
desmentidos. Se o senhor continuar com essa exigência absurda e com esse
revólver apontado para a minha cabeça, o máximo que eu posso fazer é publicar
na edição de amanhã que o senhor nasceu outra vez". E assim foi costurado
um acordo político em que se preservou, de uma só vez, o respeito à autoridade
constituída e o culto à liberdade de imprensa na Paraíba.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Campina Grande - Ascenção e Declínio
Até a década
de 1950 Campina Grande tinha 173.206 habitantes e João Pessoa apenas 119.326,
de acordo com o historiador Josué Sylvestre no livro “Nacionalismo e
coronelismo”. Era o Município mais
desenvolvido, mais industrializado e mais rico do Estado, sendo, inclusive, o
único do interior a sediar a Federação das Indústrias e órgãos federais. A
partir de meados da década de 1970 a cidade entrou em relativo estado de
estagnação, especialmente se comparada a João Pessoa, cuja economia e população
são bem maiores hodiernamente. Na atualidade Campina Grande possui cerca de
420.000 habitantes ao passo que João Pessoa 750.000, de acordo com os dados do
IBGE. Embora não se possa afirmar com precisão qual teria sido a razão desse fenômeno, é perfeitamente possível afirmar que isso coincidiu com a ascençao dosgrupos políticos que até hoje comandam o Município.
Epitácio e as Eleições em Campina Grande
No Município
de Campina Grande Epitácio Pessoa teve 939 votos contra 1 de Ruy Barbosa no
pleito presidencial de 1919 (fonte: Jornal a Razão, 1919). O resultado
demonstra a já existente tendência do eleitorado campinense de votar em bloco a
favor ou contra determinado candidato, já que nem na capital do Estado o
presidenciável paraibano teve tão bom desempenho. Nas eleições de 2010 o atual
governador Ricardo Coutinho alcançou um percentual de sufrágios bastante
superior ao obtido na própria cidade onde fora prefeito por dois mandatos, o
Município de João Pessoa. Dizem que nesse caso de Epitácio, os eleitores mais
aguerridos ainda tentaram encontrar quem teria sido o corajoso que votou contra
um conterrâneo.
domingo, 20 de janeiro de 2013
O Homem das Poucas Palavras - Crônica em Homenagem ao Meu Avô Nezinho Farias
Ontem à noite o meu avô paterno me apareceu em um intrigante sonho. Sentado no banco de um praça, onde os jardins exibiam flores de todas as cores e tipos e os pássaros pousavam nas fontes para tomar água a um só tempo que os homens, ele me convidava para ficar ao seu lado. É que ele tinha partido sem me revelar uma importante mensagem, e somente por isso teve de voltar. Percebi que os seus olhos brilhavam intensamente e que uma estranha energia envolvia todo o seu corpo, o que me transmitiu uma sensação de felicidade. Como meu avô já estava passando muitos minutos em silêncio, eu insisti em saber o que ele tinha para me dizer. Após pensar um pouco ele pôs as mãos dele sobre a minha cabeça e começou a soletrar muito suavemente alguma coisa, como se estivesse fazendo uma oração, de modo que nada pude escutar. De repente, meu corpo esquentou e em poucos minutos eu senti que voava sobre o infinito. Essa sensação de liberdade do mesmo modo que me causou prazer me fez sentir medo, e por causa disso eu acordei assustado.
Deitado na cama, demorei a reparar que o meu quarto ainda estava banhado pela noite. Os meus pensamentos pareciam ter permanecido no banco daquela praça, como alguém que se perde no meio de um sonho. Nesse instante minha memória abriu as portas e eu comecei a rever passagens importantes ao lado de meu avô. Vi-o sentado na cadeira de balanço da sala de minha casa, enquanto eu e meus irmãos brincávamos com carrinhos de ferro sobre o tapete. Vi-o com certo constrangimento ao me explicar que não tinha carro, e a minha dificuldade de compreender isso estava no fato de que todos os meus parentes adultos possuíam um. Vi-o partindo um imenso bolo ao lado de minha avó, ocasião em que a família inteira se reuniu para comemorar com alegria as bodas de ouro deles. Vi-o lendo os jornais e questionando a política nacional com igual entusiasmo a de um jovem que imagina ainda poder mudar o mundo. Vi-o assistindo a um jogo do Flamengo pela televisão e gritando o nome de Zico quando este marcou um de seus belíssimos gols. Vi-o acompanhando, direta ou indiretamente, os momentos mais importantes de minha vida: o time de futebol, as brincadeiras de rua, a primeira comunhão, as primeiras festas, o vestibular, as namoradinhas etc. Enfim, eu o vi outra vez perto de mim, reavivando todas as ocasiões em que estivemos juntos.
Depois, levantei-me devagar e fui caminhar pela casa que ainda dormia. Meu olhar se demorou por entre os inúmeros móveis e objetos de decoração, até pairar sobre um porta-retrato do meu avô. Comecei, então, a relembrar a história dele. Era um homem humilde, nascido no município mais quente do cariri e que foi criado por um tio. Trabalhou como vendedor de tecidos a vida inteira, tendo por isso morado em diversas cidades. Chegou a colocar um negócio próprio, mas não logrou êxito. Em decorrência disso foi morar em Campina Grande , onde criou os filhos e trabalhou até se aposentar como balconista de uma loja de tecidos. Apesar de não ter muitos estudos, era um homem que lia muito. Uma curiosidade é que para poder ler sem constrangimento os livros considerados comunistas, ele trocava a capa destes pelas dos livros eclesiásticos. Esse posicionamento a favor das classes menos favorecidas influenciou os filhos e netos, alguns dos quais marcaram presença na militância esquerdista local. Mas, sua principal característica era mesmo a discrição: não pedia nada nem exigia a atenção de ninguém. Gostava de ficar em casa e só sair para o Convento Franciscano, cuja missa freqüentava. Até a data de sua morte foi significativa, já que ao fazer a passagem numa tarde de sábado ele evitou que parentes de outras cidades faltassem às obrigações. Eu diria que ele teria sido invisível, se pudesse ter escolhido.
Apesar do orgulho que eu sentia do meu avô, por achá-lo um homem sábio e honrado, ao me lembrar de todas essas coisas um certo sentimento de culpa me invadiu a alma. É que por muito tempo eu havia planejado lhe fazer uma visita. Seria uma tarde de Domingo e nós conversaríamos sobre política e futebol. Eu lhe perguntaria sobre os acontecimentos mais interessantes de sua vida, os momentos de tristeza ou de alegria. Indagaria ainda sobre a história da família, a nossa ancestralidade. Na minha imaginação ele estaria usando uma camisa cor de telha e segurando nas mãos o jornal, e eu me sentaria de frente a ele no terraço. Minha boca pronunciaria apenas uma ou outra pergunta, e de resto eu seria todo ouvidos. Todavia, isso nunca se realizou. Os finais de semana iam se passando e eu sempre adiava por qualquer motivo aquele encontro. Até que recebi a notícia de que meu avô estava na UTI, em estado dificílimo. Alguns dias depois ele iria para o outro lado. Nesse momento eu me senti traído pela vida, a qual foi implacável comigo ao não esperar que eu visitasse meu avô, e também por mim mesmo, que não fiz com que aquilo acontecesse. A partir de então essa culpa passou a me perseguir como uma sonora sombra.
Dessa forma, já cansado e com sono, e também por estar perto do amanhecer, resolvo voltar a dormir. Em poucos instantes me vejo naquela praça cheia de flores e de pássaros a cantar. Há muitas pessoas em todos os lugares, crianças, velhos e adultos, e todos parecem estar sorrindo. Ao caminhar por entre elas eu me deparo com o meu avô, ainda sentado no mesmo banco. Após abraçá-lo e beijá-lo com entusiasmo, eu me lembro de perguntar o que ele estava me dizendo naquele sonho anterior. Eis aí o momento de maior surpresa. Ele falou que estava dizendo apenas para que eu não me preocupasse com aquele encontro que não pode ser realizado na Terra. Afinal, dizia ele, nós temos nos encontrado muitas e muitas vezes, embora eu nem sempre tenha percebido. E, como aquela vez, nós iríamos nos encontrar ainda muito mais. Ele sorriu como uma criança e afirmou que “a vida sempre dá uma nova chance”. Mais tarde, quando acordei, eu não conseguia esquecer do tom de voz nem da expressão do rosto dele. E comecei a pensar em uma série de assuntos sobre os quais a gente poderia conversar num próximo encontro.
* A crônica acima inspirada no sonho que tive com o meu avô Nezinho Farias foi publicada no portal de notícias Paraíba on Line (www.paraibaonline.com.br), e provavelmente foi escrita em 2000 ou 2001.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
A Vida
A VIDA
para Maria
Cecília
A vida às
vezes é só um parto –
– nasce-se e
pronto
A vida às
vezes é só um porto
– parte-se e
pranto
A vida às
vezes é só um ponto
de interrogação
(Campina
Grande/PB, 26 de dezembro de 2012)
domingo, 9 de dezembro de 2012
Animais e Poluição Sonora
Essa
notícia me foi enviada por Valério Bronzeado, atuante Promotor de Justiça de
Meio Ambiente no Município de Cabedelo/PB. Um cavalo da Polícia Militar não
aguentou a poluição sonora gerada pelo Carnatal, carnaval fora de época
realizado no Município de Natal/RN, e disparou correndo pela BR-101 até se
colidir com uma motocicleta e falecer. É importante saber que a poluição sonora
é prejudicial não apenas à saúde humana, mas ao meio ambiente também.
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