domingo, 18 de abril de 2010

Lindberg Farias, Senador da República


Eu escrevi o texto abaixo em 2004, quando Lindberg Farias se elegeu prefeito de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro - tendo o mesmo sido publicado na coluna que mantenho no portal de notícias Paraíba on Line (http://www.paraibaonline.com.br/). O artigo não conseguiu esconder o meu orgulho ao ter um primo legítimo escolhido para administrar um dos Municípios mais importantes daquele Estado, e com visibilidade política para o restante do país.

Recentemente, Lindberg renunciou ao cargo de prefeito, para o qual tinha sido reeleito com mais de 70% dos votos, para postular o cargo de Senador da República. Impende dizer que, para isso, ele teve de derrotar nas prévias a ex-Governadora, ex-Ministra e ex-Senadora Benedita da Silva, a qual, a despeito do seu enorme currículo político e do seu grande prestígio junto à cúpula petista, foi derrotada por um percentual significativo - a diferença foi aproximadamente de 65 a 35%.

Enquanto o processo eleitoral se inicia, cabe a mim apenas pedir votos para o amigo e conterrâneo, torcendo para que ele tenha êxito nessa nova empreitada. Quem sabe o meu próximo texto sobre ele não seja intitulado "Lindberg Farias, Senador da República"?...

Talden Farias


Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu
Talden Farias

O paraibano que mais brilhou no pleito deste ano foi o deputado federal Lindberg Farias, do PT do Rio de Janeiro. Aos trinta e quatro anos de idade ele se elegeu prefeito do município de Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio de Janeiro, com uma votação consagradora: cerca de sessenta mil votos de diferença.


Para se ter uma idéia da importância de Nova Iguaçu, basta dizer que a cidade é maior do que João Pessoa em mais de cento e cinqüenta mil eleitores e que abriga um parque industrial maior e mais avançado do que o de todo o Estado da Paraíba. Ademais, por ficar vizinho à capital, uma boa administração o credenciará naturalmente à prefeitura do município do Rio de Janeiro, ao senado ou ao governo estadual. É bom lembrar que o ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB, saiu da prefeitura de Campos, uma cidade menor e menos importante do que Nova Iguaçu, para o governo estadual e depois para uma candidatura à Presidência da República que ficou na terceira colocação.

Em face da derrota do PT nos outros municípios cariocas relevantes, Lindberg Farias tem sido apontado como a maior liderança do partido no Estado, sendo esse o motivo pelo qual o Presidente da República Luiz Ignácio Lula da Silva fez questão de telefonar para parabenizá-lo.

Ele começou a carreira política no movimento estudantil e passou a ter destaque nacional quando foi eleito presidente da UNE em 1992 - ocasião a partir da qual se mudou para o Rio de Janeiro - e teve oportunidade de comandar o movimento dos "caras pintadas", o qual culminou com o impeachment do ex-Presidente Collor. Em 1994 foi eleito deputado federal pelo PC do B, não conseguindo se reeleger em 1998 por causa da insuficiência de votos da legenda do partido que ajudou a fundar, o PSTU, problema que se repetiria em 2000 quando foi o terceiro vereador mais votado da capital carioca e ainda assim não foi eleito. Talvez essas decepções o tenham levado ao PT, partido com melhor estrutura e pelo qual se elegeu com facilidade deputado federal em 2002.

Lindberg tem um bom acesso à imprensa nacional, tendo sido objeto de inúmeras matérias dos importantes jornais de país, desde que começou a se sobressair. O governador Cássio Cunha Lima, por exemplo, nunca teve tamanho prestígio, apesar de ter ocupado cargos mais relevantes, como a Superintendência da Sudene e o governo da Paraíba.

Foi na condição de atual vice-líder do PT no Congresso Nacional que Lindberg se preparou para chegar à prefeitura de Nova Iguaçu, onde apresentou emendas ao Orçamento da União beneficiando a cidade. Contudo, foi o carisma, a oratória brilhante e a inabalável disposição para trabalhar que o fizeram vencer o pleito.

Foram inúmeras as dificuldades. Por exemplo, o ex-governador Anthony Garotinho criou um clima de terror ao dizer que se Lindberg fosse eleito o município seria discriminada pelo governo estadual. O carro em que ele fazia a campanha sofreu quatro tiros, uma ameaça para que ele se retirasse da cidade. E o atual prefeito Mário Marques, do PMDB, colocou no guia eleitoral uma mulher dizendo que teve uma filha que ele não quis assumir, querendo repetir o jogo baixo que Collor fez com Lula em 1989. É desnecessário dizer que essa estratégia teve um efeito contrário, fazendo com que a campanha petista crescesse. De fato, para ele o processo eleitoral foi uma consagração. Aonde quer que fosse uma multidão pedia autógrafos e o mulheril fazia fila para beijá-lo, tratando-o tal qual galã de cinema. O charme e o porte físico de atleta deram a ele o apelido de "Lindoberg" ou o "Lindinho da Baixada".

Lindberg nasceu em João Pessoa, capital paraibana, e é filho do médico Lindberg Farias, um filho de Serra Branca com origens cabaceirense. Do pai herdou, além do nome, a paixão pela política, tendo o mesmo sido presidente da UNE em 1961 (inclusive, quem o sucedeu na instituição foi José Serra, do PSDB, prefeito eleito de São Paulo). Contudo, é importante destacar que o pai dele nunca exerceu outros cargos políticos, preferindo seguir carreira como médico e como professor universitário, e que Lindberg conseguiu crescer sem padrinho político ou grupo econômico que lhe apoiassem, ao contrário da maioria dos políticos jovens.

Ele fez medicina por três anos e depois começou a fazer direito também na UFPB, curso que já transferiu para a UNB e para a UFRJ e que ainda hoje não acabou devido à atuação política - obviamente não fica bem para nenhum líder estudantil encerrar a graduação. Lindberg é casado com a cientista social Maria Antônia e tem um filho chamado Lindberg Neto, atualmente com oito anos.

O candidato Mário Marques também acusou o de ser um forasteiro, mais um nordestino que quer tomar o espaço dos nativos. Lindberg, contudo, usou esse argumento de uma forma que lhe fosse favorável ao pedir votos para "o paraíba" - expressão que no Sudeste é sinônimo de nordestino. A comunidade dos nordestinos e dos filhos de nordestinos passou, então, a trabalhar para ele com tanta ênfase e entusiasmo que ele considera esse um dos fatores decisivos para a sua eleição.

Um comentário:

Talden Farias disse...

Prezado Jayme:
Eu moro na Paraíba e nunca vivenciei a política do Rio de Janeiro. A despeito disso, não acho que você está certo, já que o ex-prefeito Lindberg foi reeleito com expressiva diferença, tendo depois sido eleito o senador mais votado da história do Estado. Ou seja, a imensa maioria da população pensa exatamente o contrário de você. De todo jeito, eu respeito a sua manifestação.